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domingo, 2 de outubro de 2011

Mulheres feias, por Hildegard Angel




As redes sociais discutem se é válida a intenção da Secretaria de Políticas de Mulheres de retirar do ar a campanha de lingeries com Gisele Bündchen, considerada discriminatória. No comercial, Gisele só conseguiria ascendência sobre o marido se ficasse seminua, de lingerie. Vestida, jamais!

Mas eu proponho a discussão sobre outro tipo de preconceito, até mais cruel e excludente: aquele contra as Mulheres Feias. Na primeira página de O Globo hoje, a sacada, que, não posso negar, é espirituosa, confrontando a ministra Iriny Lopes, feia, versus Gisele, linda. E ainda a vinheta "certo", ao lado de Gisele. Implícito fica que a vinheta "errado" estaria no lado oposto, o de Iriny.


O que faz subentender que não é só andar vestida que é "errado". Ser feia também é. Porém, por uma dessas doces ironias que fazem refletir, são justamente as mulheres feias que neste dia 29 de setembro de 2011 embelezam o noticiário.

Partiu da feia, muito feia, Luiza Erundina, a deputada, a iniciativa brava e linda, muito linda, do projeto (rejeitado) que previa a revisão da Lei da Anistia. Com pertinência, disse a deputada: "A atual lei (a lei em vigor) não se deu em bases de igualdade. Ainda estávamos em plena ditadura". Ela ainda lembrou que o texto da Comissão da Verdade aprovado "não permitirá apurar tudo, será uma meia Comissão da Verdade". Afirmação de indiscutível beleza, pois a verdade é sempre bela.


E eu me surpreendo ao ler, na mesma reportagem, que foi o deputado Hugo Napoleão - que em seu passado apolíneo era chamado de "pão" - o autor do parecer contrário a Erundina, corroborado pelo igualmente bonito deputado Alfredo Sirkis, que por sinal defendeu a Comissão da Verdade tal como ela está, com os remendos feiosos que lhe costuraram, e é contra o julgamento de militares que violaram os direitos humanos na Ditadura. Diz o bonitão Sirkis que "os principais responsáveis (leia-se os grandes torturadores) já morreram e os de escalão médio, que estão no anonimato, ficarão expostos às câmeras de TV" (numa alusão à visibilidade que poderia ter outro horroroso belo, Jair Bolsonaro).

Sorte a do Sirkis, que conseguiu sair da ditadura com o rosto intacto e suas cicatrizes se restringiram às de suas lembranças e  às dos personagens de seu lindo livro, Os carbonários, escrito por ele ainda em seus verdes anos de idealismo, fase de beleza resplandecente, quando, em nome de suas convicções, enfrentava corajoso a truculência dos mandantes e seus próprios medos. Como hoje me pareceu feia a beleza desses homens! "Feios, muito feios, medonhos mesmo!" - sapateio minha indignação, esbravejo minha desesperança.

No mesmo jornal e no mesmo hoje, outra mulher pontifica e não é pelos atributos físicos. É pelo destemor, a bravura e a petulância de dizer o que todos sabem: "Há bandidos escondidos atrás de togas". Não é de hoje que a agora ministra do STJ, Eliana Calmon, irradia sobre o Judiciário a aura de uma Miss Universo. Foi ela, fico sabendo, que assinou as ordens de prisão de todos os investigados na Operação Dominó. Entre eles havia dois juízes e um juiz auxiliar. Que formosura a dela, quando despe a toga do corporativismo em nome da firmeza de seus princípios. Uma Vênus!


Sim, podem fazer trocadilhos, não me importo. Não me importo que também me excluam e me julguem  "errada". Não me importo com os comentários jocosos, as piadas de mau gosto, não me importo com as acusações. Afinal, quem ama o feio, bonito lhe parece. E há de ter quem leia este texto e acredite serem bonitas as minhas palavras e belos os meus pensamentos. Certamente, as mesmas pessoas que, no confronto certo x errado,  assinalem o "certo" junto às fotos e aos atos de Luiza Erundina, Eliana Calmon e Iriny Lopes.



domingo, 25 de setembro de 2011

A imagem da mulher na mídia



Imagem da Mulher na Mídia

Para mulheres, mídia retrata mal a figura feminina Pesquisa da Fundação Perseu Abramo e do Sesc aponta que classe feminina se sente desrespeitada com a exibição de corpos na publicidade e na TV
Bárbara Sacchitiello - 01 de Março de 2011 às 08:09

Para o público feminino da pesquisa, imagens e campanhas com belas mulheres acabam prejudicando a classe feminina
Os homens até podem apreciar ver rostos e corpos de belas mulheres na TV, em peças publicitárias e na mídia em geral. Mas, para as mulheres, tal exibição, além de nem um pouco atrativa, contribui para uma desvalorização da classe feminina.

A conclusão faz parte da ampla pesquisa “Mulheres brasileiras e gêneros nos espaços público e privado” – elaborada pelo Instituto Perseu Abramo em parceria com o Sesc de São Paulo. Elaborado no ano passado, o estudo faz uma análise das opiniões e percepções femininas acerca de diversas vertentes da sociedade. A ideia foi fazer um complemento à pesquisa realizada no ano de 2001, mas inserindo novos temas e contanto, também, com o contraponto das ideias masculinas – uma vez que, além de 2.365 mulheres, 1181 homens também foram entrevistados.

Um dos temas abordados neste ano foi a opinião das mulheres a respeito da imagem que a mídia (veículos e também a publicidade) faz da figura feminina. E os resultados mostram que a grande maioria está descontente com a exposição do corpo feminino. De todas as entrevistadas, 80% consideram ruim a exposição do corpo na TV e na publicidade. Há nove anos, na pesquisa anterior, esse índice era de 77%.

Dentre as pesquisadas que desaprovam o excesso de exibição feminina, 51% consideram que valorizar o corpo implica um subjulgamento geral da figura da mulher. Somente 18% das mulheres consideram adequada a exibição de sua classe na TV e nos outros meios.

“Esse índice mostra um amadurecimento da reflexão sobre a imagem da mulher. O percentual de desaprovação já era alto em 2001 e agora, cresceu mais. Isso mostra que elas estão conscientes de que a mídia, muitas vezes, impõe padrões que não são reais e que não representam a figura feminina”, argumenta Gustavo Venturi, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo e um dos coordenadores da pesquisa.

Outro dado interessante da pesquisa é que a grande maioria das mulheres (74%) é a favor de algum tipo de controle (governamental ou do próprio mercado) sobre o teor do conteúdo exibido pela publicidade e pela mídia. “Esse índice nos causou bastante surpresa porque é comum a sociedade reagir de maneira negativa a qualquer possível ideia de controle ou censura”, pontua o pesquisador.

Fonte: 
http://observatoriodamulher.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=2548&Itemid=44