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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Conferência "Educação: Autonomia e Políticas para as Mulheres"



Conferência Temática
de Mulheres

Educação: Autonomia e Políticas para as Mulheres




Companheir@s,


Na próxima sexta-feira, 14 de outubro, 19h, será realizada a conferência temática livre do Sinpro-DF, para discussão e levantamento de propostas em busca da Educação como instrumento de autonomia, políticas para as mulheres e igualdade para todas e todos. A conferência temática “Educação: Autonomia e Políticas para as Mulheres” faz parte do calendário de discussões preparatórias para a 3ª Conferência Distrital de Políticas para as Mulheres do Distrito Federal, a ser realizada no período entre 21 e 23 de outubro, e para a 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, de 12 a 15 de dezembro.

Foi implementada, este ano, a Secretaria de Estado da Mulher no DF. A existência dela não basta. Entendemos que sua criação não basta, por percebermos a necessidade de políticas públicas que venham promover a autonomia, a igualdade e o combate à violência. É preciso orçamento, e faz-se necessária também vontade política, abertura para o diálogo com os movimentos sociais. Por esses motivos, a Diretoria Colegiada do Sinpro-DF promove, na véspera do Dia de Professoras e Professores, a conferência temática. Esse é o momento em que nós, educadoras e educadores, pautaremos a Educação e demais instrumentos de políticas para as mulheres. Inscreva-se e participe!

http://www.sinprodf.org.br/eventos/vw/index.php?m=Inscricao&codEvento=15&pro

O texto a ser trabalhado na Confência do Sinpro é o mesmo que estamos discutindo nas reuniões do setorial e dos movimentos CUT/FORUM/CFEMEA/MMM. Por esse motivo, abrimos as inscrições para além da categoria de professoras e professores.

Inscrevam-se, divulguem e participem!
Um grande abraço!

Neliane Cunha - Contato: 9159-9989
Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres
Sinpro-DF

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Educação Integral: Instrumento de desenvolvimento e autonomia, por Neliane Cunha


Neliane Cunha*

A Educação Integral, em seus aspectos pedagógicos e sociais, vai além do conceito de escola em tempo integral. Deve-se considerar a amplitude que a Educação Integral traz tanto para o trabalho pedagógico, que visa o desenvolvimento de crianças e jovens, quanto para a sociedade, vindo ao encontro da concepção progressista da educação, numa tendência libertadora que promove o caráter abrangente da escola, vinculando-a à luta e organização de classe, onde também a autonomia das mulheres no mundo do trabalho é imprescindível para todas e todos.

O debate sobre Educação Integral no sistema público de ensino do Brasil tem sua origem em 1932, tendo como referência Anísio Teixeira, considerado como o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira, pioneiro da escola pública em todos os níveis e fundador da Escola Parque. Essa proposta tem como marco legal a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que aponta a Educação Integral como um aumento progressivo da jornada escolar, valorizando as iniciativas educacionais extra-escolares e a vida em sociedade.

Em seus aspectos pedagógicos a Educação Integral prevê melhorias nos quadros de reprovação, com redução do fracasso escolar; propicia a construção coletiva e o constante acompanhamento do Projeto Político Pedagógico; traz novas abordagens para o trabalho de educadoras e educadores, promovendo transformações curriculares, das diversas ações e da avaliação. Esses resultados visam a reorganização do tempo e espaço no ambiente escolar, a formação profissional, a articulação entre os diferentes saberes e a relação entre escola e comunidade, além de estarem intrinsecamente ligados ao caráter social da Educação Integral, reconhecida aqui como um instrumento de valorização da escola pública, gratuita e de qualidade para todas e todos, concretizando o que sintetiza a Constituição Federal, em seu artigo 205: “A Educação, direito de todas e todos, dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Além da valorização da escola pública e do envolvimento de toda a comunidade escolar, enquanto aspecto social, a política de Educação Integral promove a autonomia da mulher trabalhadora. Essa autonomia econômica deve ser entendida com uma característica para além da questão financeira, pois aí também está contemplado o acesso à segurança social e serviços públicos, onde o salário não é considerado a única fonte de empoderamento das mulheres. É preciso rediscutir o modelo de sociedade patriarcal, onde mulheres sempre foram responsabilizadas pelo trabalho reprodutivo e de cuidados, enquanto aos homens foi atribuído o trabalho produtivo e o controle. Para romper essa realidade é indispensável a inclusão, a permanência e a valorização das mulheres no mundo do trabalho.

A Educação Integral, assim entendida, é instrumento para desenvolvimento e proteção de crianças e jovens, autonomia das mulheres e transformação da sociedade que venha compreender, como Anísio Teixeira, que "numa democracia, nenhuma obra supera a de educação”


* Educadora, Pedagoga e Diretora do Sinpro-DF, na Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres